Introdução
A forja nunca é um lugar fácil. É o espaço do fogo, do barulho do martelo, da pressão que molda e transforma. Agora, imagine uma mulher sendo forjada sem conhecer a mão do Oleiro, sem compreender que cada faísca e cada batida poderiam ser parte de um plano eterno. Assim foi o início da minha história, uma forja sem direção, em que o fogo parecia destruir mais que purificar. 
As dores, as escolhas erradas, os vazios e os medos eram o martelo que feria, mas não moldava. Eu era como ferro bruto, endurecido, sem forma e brilho. Sem Cristo.
Mas o Deus, que conhece o ouro ainda impuro, me encontrou em meio às chamas. Colocou Suas mãos sobre mim e transformou o que parecia ruína em um processo de santificação.
Descobri que não existem mulheres prontas, existem mulheres em forja. E foi nesse lugar que aprendi que a verdadeira beleza não vem da ausência de cicatrizes, mas da Graça de Deus em cada uma delas. “Eis que te gravei nas palmas das minhas mãos” (Is 49:16) Assim entendi que nunca estive sozinha em meio a fornalha.
O Senhor me moldou para ser completamente d’Ele, ser noiva de Cristo, e só então, ser a esposa que edifica o lar. Foi na presença de Jesus que compreendi o chamado eterno, ser alguém segundo o coração de Deus.
“A mulher sábia edifica a sua casa, mas com as próprias mãos a insensata a derruba” (Pv 14:1).
Eu não queria mais ser instrumento de destruição, mas coluna, alicerce, abrigo de fé e de amor. Foi em intimidade com Deus que  aprendi a ser aquela que ora, espera, intercede, que sustenta o lar com a força que não vem de mim, mas do Espírito Santo.
E então veio a segunda chama da forja, a transformação do meu esposo. Pois, quando Deus molda uma mulher, Ele não apenas a forma para si, mas a entrelaça à obra divina que deseja cumprir no coração de seu marido. Ela se torna parte do milagre, centelha viva do propósito, instrumento suave e firme nas mãos do Oleiro.
Se o Senhor me forjou com lágrimas, foi para que eu aprendesse a ser consolo. Se  me forjou em silêncio, foi para que compreendesse o poder de uma palavra mansa. Se me forjou na espera, foi para que eu tivesse paciência com o processo de transformação do meu esposo. Não fui chamada para ser espectadora da transformação de um homem de Deus, mas participante.
A Bíblia nos mostra esse processo em 1 Pedro 3:1-2: 
“Do mesmo modo, mulheres, sujeitem-se cada uma a seu marido, a fim de que, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavras pelo procedimento de sua mulher, observando a conduta honesta e respeitosa de vocês.” 
Eu compreendi que a forja não era apenas sobre mim, mas sobre nós. Cristo estava nos moldando juntos, e meu papel era crer, permanecer e amar, mesmo quando o fogo ardia intensamente.
Foi assim que entendi o título deste livro. Para ser não apenas a mulher que sofre na transformação, mas a que ao ser moldada se torna ferramenta na mão do Senhor. Para que seu lar, seu casamento e seu marido também sejam moldados. A forja gera caráter e purifica o ouro que prepara o vaso. É nesse lugar que nos tornamos sábias, e é através da sabedoria edificamos, fortalecemos e participamos da obra que Deus está realizando na vida do homem que nos foi dado como marido.
Este livro é um retrato da jornada, da dor e glória que se encontra em meio a  forja. É sobre ser moldada primeiro para Cristo, depois para o lar, para então caminhar ao lado do meu marido no propósito eterno. Nas páginas a seguir, você encontrará mais que minha história, encontrará o que ecoa de uma verdade gloriosa, o fogo nunca arde em vão. 
Pois quando Deus forja uma mulher, Ele acende a chama que ilumina gerações.
Bem-vinda a forja.
Boa leitura!