Jottapê
Depois de meses comecei a trabalhar com outro artista, o que foi oportunidade. Apesar de uma das experiências não ter sido tão positiva, nesse processo pude conhecer um grande empresário, que na época cuidava da carreira de grandes cantores do funk, sendo um deles o Jottapê. Lembro que naquela fase, uma das músicas do Jottapê havia viralizado, em paralelo a série Sintonia. Este empresário me fez o convite para integrar a equipe de bailarinas do Jotta e futuramente montar as coreografias de seus shows. 
No auge da carreira como cantor de funk, e sendo um dos atores brasileiros mais reconhecidos, passamos a viajar mundo afora fazendo apresentações. Naquela época, chegávamos a fazer quinze apresentações por semana, de 3 a 4 por dia, havendo dias com cinco apresentações. Começávamos na quarta e terminávamos no domingo. Era uma rotina extremamente intensa, mas que eu amava, pois sentia que estava onde sempre deveria estar, me sentia completamente realizada. 
Apesar do cansaço, eu ainda tinha disposição para continuar com a rotina de modelo, professora e coreógrafa de videoclipes, às segundas e terças-feiras.
Durante todo esse período, ia para casa somente para dormir. 
Devido à quantidade de shows, boa parte dos meus dias era ao lado do Jotta. Passei a conhecê-lo mais, sabia seus gostos e sonhos. Com isso, decidi me dedicar exclusivamente como bailarina em seus shows, encerrando o contato com outros cantores. Tive que trancar a faculdade, parar de dar aulas, e pausar tudo que eu fazia em paralelo, pois não estava dando conta.  Essa decisão fez com que começássemos a passar muito tempo juntos, viajando para todos os lugares.
Nossa amizade se fortaleceu, e apesar da proximidade e profundidade, na época ele estava em um relacionamento, e frequentemente me pedia ajuda. Todas as vezes que ele pedia conselhos sobre seu relacionamento, eu o ajudava. Olhava para o Jotta como alguém diferente, que carregava algo a mais, era como se em toda a minha vida eu tivesse tomado decisões que me levaram aquele exato lugar, ao lado dele.
Mesmo com os altos e baixos de seu relacionamento, continuei oferecendo apoio. Muitas vezes eles terminavam, mas acabavam voltando, ele desabafava comigo, e eu sempre procurava ser uma boa amiga. Mas em determinado momento o término foi definitivo, e como trabalhávamos e estávamos sempre juntos, surgiram comentários sobre um possível relacionamento entre nós, envolvendo até mesmo, uma suposta traição. Apesar de nos gostarmos muito, nada havia acontecido além de uma amizade.
Com o sucesso que ele havia atingido, cada passo dado virava notícia. Lembro-me de certa vez, em que o Jotta ficou doente e pediu para que pudesse acompanhá-lo no hospital. Fiquei receosa, mas ele insistiu, e eu decidi ir. Neste tempo em que estivemos em público, uma pessoa tirou uma foto e enviou para todos os sites de notícias da internet. No dia seguinte, o assunto era “Será que a fila andou para o Jottapê?". 
Eu nunca tinha sido alvo de notícias e muito menos de ataques. Tudo aquilo era muito novo para mim. A pequena Estefany, que havia crescido em um simples bairro e sonhava apenas com suas aulas de dança, agora tinha que lidar também com a mídia e a exposição. Minha vida passou por uma reviravolta, e agora, mais do que nunca, eu tinha que tomar cuidado com minhas ações. 
Ao ser atacada por diversas pessoas, e acusada falsamente por muitos, passei por momentos depressivos e crises de ansiedade. Uma grande insegurança passou a morar em meu coração. Apesar de ter um grande sentimento pelo Jotta, em pouco tempo minha vida havia mudado e eu não sabia o que fazer
O INÍCIO DA RELAÇÃO
No ano de 2020, uma notícia chocou o mundo: um novo vírus havia surgido. Rapidamente este vírus começou a se espalhar pelo mundo e se tornar uma grande pandemia, que matou muitas pessoas. Nesta época, eu e o Jotta começamos a nos relacionar. Por conta do lockdown, paramos com os shows, e como a maior parte do nosso tempo estávamos juntos, viajando e se apresentando, começamos a sentir falta um do outro. Logo, não demorou muito para percebermos que nosso futuro era juntos.
Nossa relação não era comum e nem seguia os padrões tradicionais, éramos dois jovens, completamente distantes dos caminhos do Senhor e afundados em pecados. Em nosso meio era comum o uso de drogas, altos níveis de bebidas alcoólicas, e os limites sexuais não existiam.
Antes de entrar em um namoro com o Jotta, eu havia me relacionado sexualmente com homens e mulheres, não tinha consciência do que era certo e errado na vida a dois. Eu era completamente influenciável, o que me fazia tomar decisões extremamente destrutivas para a minha vida.  Ao começar meu namoro com o Jotta permiti que práticas como relações sexuais com outras mulheres fossem comuns em nosso relacionamento.
Eu e o Jotta vivíamos perdidos, e entregues aos prazeres deste mundo. Eu não sabia como era ser uma mulher virtuosa, e ele não sabia o que era ser um homem que liderava a relação segundo os padrões de Cristo. Mesmo que nossas famílias até tivessem contato com a igreja e com Jesus, mas nunca fomos apegados à fé. E isso nos destruiu…
Em meio a vida de shows, fama, sucesso e muito dinheiro, passamos a compartilhar uma vida a dois. Existia muito carinho e paixão, mas os passos que estávamos trilhando nos direcionavam para o precipício. Obviamente, não tínhamos consciência de tudo isso, vivíamos como se não houvesse nada errado, como se não tivesse fim, para nós, estava tudo uma maravilha, do jeito, que talvez, sempre sonhamos. 
Durante o auge, o Jotta havia guardado uma reserva financeira, porém um pouco antes da pandemia ele havia comprado um apartamento para os seus pais, assumindo parcelas altas. Logo, não demorou muito para esta reserva acabar. 
Em meio ao caos, tomamos a decisão de morar juntos, em uma cidade próxima a capital paulista, sabendo que seria arriscado. Agora, eu passaria a dividir o meu lar com outra pessoa, eu não era mais uma jovem que morava com os pais. Eu era uma mulher, morando ao lado do seu companheiro.
Como alguém que estava longe de Jesus, entrei nesta fase sem saber o que realmente era ser uma mulher sábia, que direcionaria o lar da melhor forma possível. Ao meu lado, estava o Jotta, perdido nas drogas, sem shows para fazer e completamente longe de Cristo. Toda situação fez com que olhássemos um para o outro como alguém que podíamos confiar, sabíamos que estávamos juntos, mesmo em meio ao caos. Era como se as lutas nos aproximasse ainda mais, nos tornando praticamente inseparáveis.
Nesta fase, buscando soluções para nos manter financeiramente, decidi fazer publicidades. E deu certo! Comecei a ter resultados financeiros, e com estes recursos conseguimos nos manter. Eu aprendi desde cedo a ser uma mulher que corre atrás dos objetivos, mesmo em meio às adversidades, e nesta fase não foi diferente. Durante alguns anos, a única renda que entrava em casa era das minhas campanhas publicitárias nas redes sociais.
VIVENDO O CAOS DELE
Apesar dos ganhos financeiros com as redes sociais, naquele período de pandemia, eu também estava presa em uma tempestade que parecia não ter fim. João vivia um colapso na carreira. O vi descobrir mentiras e traições do empresário que administrava sua vida profissional, contratos abusivos, valores que desapareciam, shows boicotados e, mesmo sem entender muito, eu sentia o peso daquela prisão em nosso lar. Não era apenas a carreira dele que estava em jogo, era a nossa vida inteira, o nosso sustento, os nossos sonhos. Eu, ao lado dele, estava sendo forjada em um fogo que queimava sem misericórdia.
Quando o Jotta descobriu todos os erros que o seu empresário estava cometendo, decidiu buscar a quebra de contrato para seguir com outro empresário, e uma bomba estourou em nosso colo, a quebra contratual geraria uma multa de 30 milhões de reais.
Quando surgiram as notícias sobre a multa milionária, senti como se um muro tivesse desabado sobre mim. O que faríamos? Como seguir em frente? A raiva e a angústia que tomavam conta do João também respingou em mim, e eu me via tentando me manter forte, sem ter para onde correr. Eu não conhecia Jesus naquele tempo, e por isso não havia consolo verdadeiro, tentava encontrar alívio em distrações, em escolhas que só aprofundaram nossas feridas, mas nada curava a dor. Mesmo que o caos envolvesse a carreira do João, eu também estava perdida, e vivendo a forja do Senhor, sem sequer saber que era Ele quem permitia aquelas chamas.
Após inúmeros pensamentos, uma ‘solução’ para a multa surgiu. Uma nova produtora estava começando e precisava de um artista de sucesso para alavancar sua imagem. Então, decidiram assumir a quebra contratual com o antigo empresário, e apresentaram o Jotta como seu artista principal. Antes da troca de produtora, compramos uma casa em Alphaville - SP e nos mudamos para lá, um dos bairros mais luxuosos do Brasil. Sempre foi nosso sonho morar naquele bairro.
Quando nos mudamos, parecia que as coisas voltaram à normalidade. A sensação que tínhamos era de que os bons tempos estavam batendo em nossa porta novamente, produtora nova, casa dos sonhos e dinheiro na conta. Mas não passava de uma máscara que acobertava nossas dores.
A mudança para Alphaville parecia, aos olhos de todos, uma vitória. Amigos e conhecidos olhavam para nós como se estivéssemos novamente vivendo o auge do sucesso. Mansões, carros, status. Mas a verdade é que dentro de casa, a realidade, mesmo que imperceptível para nós, era outra. João se afundava cada vez mais nas drogas, gastando rios de dinheiro em algo que o destruía. Eu o via gastar mais de dez mil reais por mês em maconha, e junto com isso, eu via o homem que eu amava se afastar de si mesmo. Eu tentava acompanhar esse ritmo desordenado, sem perceber que também estava me destruindo junto. Participávamos de relações vazias e pecaminosas, acreditando que aquilo era liberdade, enquanto estávamos sendo escravos de nossos pecados.
Nossos olhos já não brilhavam como antes, nossa vida financeira desmoronava, e ainda assim insistimos em fingir que tudo estava sob controle. Eu tentava esconder a angústia atrás de sorrisos forçados e postagens bonitas, mas por dentro o vazio me consumia.
Muitas vezes me perguntava: Quem é esse homem com quem eu moro?
Mas, se buscasse a resposta com sinceridade, também teria que me questionar: Quem é essa mulher que me tornei? 
Nós dois estávamos vivendo uma vida sem rumo, caminhando em um deserto onde só havia areia movediça. O sucesso que parecia segurar nossas mãos era, na verdade, o mesmo que nos empurrava para o abismo.
Eu não conhecia a Bíblia, não sabia orar, não tinha a mínima ideia de quem realmente era Jesus. Mas, se naquela época, alguém tivesse me mostrado a história de Lázaro, eu entenderia que era exatamente onde estávamos, mortos por dentro, sem esperança, apodrecendo em nossas próprias escolhas. A diferença é que ainda não tínhamos ouvido a voz de Cristo dizendo: “Lázaro, vem para fora!” (João 11:43)
Enquanto João vivia o caos dele, eu estava sendo arrastada para dentro desse mesmo caos. E, sem perceber, Deus estava permitindo que eu também passasse pela forja, que mais cedo ou mais tarde, revelaria que havia vida além do túmulo em que estávamos enterrados.